Google+ Psicologia Transpessoal Aplicada: Fenomenologia

Translate

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Fenomenologia

Fenomenologia (do grego phainesthai - aquilo que se apresenta ou que se mostra - e logos - explicação, estudo) afirma a importância dos fenômenos da consciência, os quais devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente, cada um designado por uma palavra que representa a sua essência, sua "significação". Os objetos da Fenomenologia são dados absolutos apreendidos em intuição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades objetivas que correspondem a elas (noema). Fonte: Wikipedia


Eis acima, uma definição de Fenomenologia. 


A seguir, tentarei descrever os meus conhecimentos sobre Fenomenologia, sem definir os autores principais. 


Talvez seja importante para alguns demonstrar seu conhecimento dos autores e pensadores da Fenomenologia, mas não é o meu caso. Para mim, o importante é saber a respeito do método, e como aplicá-lo. De nada adianta um bom repertório teórico sem conhecimento prático e aplicável. 


Quando comecei a estudá-la nos livros e aulas expositivas comecei a entender do que se tratava. Poe exemplo, intuitivamente, compreendia o conceito de "estudar em si mesmos os fenômenos da consciência", a partir do conhecimento empírico de que cada pessoa possui um ponto de vista da realidade, diferente em vários aspectos. 


Porém, observei durante anos a fio, tanto em mim quanto nos colegas interessados na Fenomenologia, uma dificuldade em explicá-la, a alguém que não conhecia essa "teoria". Por mais que soubesse a teoria, isso era insuficiente, pois ainda não conhecia a prática. 


Outra questão que se apresentava, pelo menos para mim, era uma limitação ou restrição quanto ao "jeito" que se faz Fenomenologia. Ok, você aprende que a consciência é sempre consciência de algo, que existe uma inseparabilidade entre o ser e o mundo, razão pela qual você o define como ser-no-mundo. Ser-com-os-outros também é uma definição do que é o ser. Ser-consigo é outra. 


Existe também uma diferença, de acordo com Martin Heidegger, entre o ser e o Ser. Existem entes e existe o Ser. O ser (letras minúsculas é um ente) e o Ser é o Ser. O Homem, é o ente do Ser. O Ser do Homem é aquilo que "está em jogo" a todo momento. O Homem é um ser-no-mundo, ou também chamado de ser-aí, pois está aí, no mundo. O mundo são todas as relações que o Homem mantém durante toda a sua existência. Portanto, o hífen é muito importante, pois implica numa união permanente e indissolúvel entre o ser e o mundo. 


Diferente de outros animais e coisas (os entes) o Ser do Homem permite que ele esteja no mundo de um modo "reflexivo": ele se pergunta sobre o que são as coisas, sobre o Ser. Quem sou eu, o que são os outros, de onde venho e para onde vou? 


A trama se complica mais um pouco, pois temos o Não-Ser. O Homem está em contato com o Ser e também e com o Não-Ser. O Ser são todas as minhas possibilidades, tudo o que me diz respeito, a minha responsabilidade de ser eu mesmo nesse corpo, nesse momento da vida, com essa idade, com as condições que o ambiente apresenta para mim. O Não-Ser, compreendo ser a negação de todas essas coisas, inclusive de mim mesmo como responsável e capaz de ser eu mesmo. Tanto o Ser quanto o Não-Ser não são estruturas psicológicas. 


A Fenomenologia não pensa no Homem como alguém dotado de psique, um sistema interno de processamento e avaliação do mundo. Pois isso assumiria que são coisas separadas, o ser e o mundo.

Quais aspectos se analisam, que são fundamentais e portanto, assumidamente constantes em todos os seres humanos, independente do país, da cultura ou época? São os seguintes: 


Temporalidade: relação do ser-no-mundo com o tempo, existe a finitude, o tempo é finito. Nascemos, vivemos e morreremos. Quando morreremos ninguém sabe, por isso, a morte pode acontecer a qualquer momento. Temos um tempo restrito de vida, não temos a eternidade para nos formar na faculdade ou para ter filhos. 


Historicidade: relação com minha história. Como o tempo passa por mim, o que eu fiz, faço e farei com minha vida? Como eu percebo minhas escolhas? Como será o meu futuro? 


Corporalidade: relação com o corpo. Através do corpo somos alguém para nós mesmos e somos no mundo. O corpo é a coisa mais objetiva que existe. Merleau Ponty afirma algo assim: "Quando a mão direita agarra a mão esquerda, não podemos considerar que existe um sujeito e um objeto separados entre si. Quem está tocando em quem?" A localização geográfica do meu próprio corpo é absoluta, ela não se altera, pois a consciência se mantém sempre no mesmo local, faz parte do corpo, e depende dele estar no mundo. Dessa forma, o corpo é o ponto de referência para todas as relações posteriores da vida de uma pessoa. De onde, de que ponto do universo falamos, pensamos e sentimos? De nós mesmos, ou seja, do nosso corpo. Nossa relação com o espaço só pode acontecer a partir do corpo. A referência de tempo seria impossível sem o corpo. 


Espacialidade: relação com o espaço. Passa necessariamente pelo corpo. A partir do corpo sabemos onde é aqui e ali, onde é na frente, esquerda, e assim por diante. 


Angústia / culpabilidade: Angústia não é a mesma coisa que o sentimento de angústia. A angústia se dá a todo momento, pois indica que eu, e apenas eu posso ser eu mesmo, e fazer as coisas que cabem a mim fazer.  Minha existência é intransferível para qualquer outra pessoa ou ente. A culpabilidade é o resultado das minhas escolhas. Escolhi "esta" opção e não a outra. Não posso escolher tudo de uma só vez, sem deixar alguma coisa "de fora", ou não-escolhida.  


Incluiria também, um aspecto que não se apresenta aqui vindo de nenhum autor, que é o da Casa, como sinônimo de Lar. Onde é a minha casa, de onde eu parto para o mundo, e para onde eu retorno depois de uma jornada? É uma casa concreta, mas antes de mais nada é um conceito, uma imagem, uma noção bem real. "Estou me sentindo em casa", ou "Sinta-se em casa", costumamos dizer. 


Minha compreensão é a seguinte: A primeira casa é o útero da nossa mãe. A segunda, o nosso corpo. O mundo depois torna-se a nossa casa, sem que abandonemos as anteriores. Talvez o útero possa ser abandonado, pelo menos fisicamente... A primeira casa é o útero, pois não temos ainda o conceito de sermos "um corpo dentro de outro", pois ainda não saímos de dentro dele. Não existe dentro para o bebê que ainda não nasceu. Existe apenas uma entidade só, a mãe-bebê. Cortando-se o cordão umbilical, passamos a ser um indivíduo separado de nossa mãe. Quando primeiro surge a consciência de sermos alguém, é apenas no nascimento ou durante o mesmo, quando começa o trabalho de parto? 


Quando chegamos ao mundo, quando nascemos, chegamos em Casa, numa nova Casa. Quais as características deste mundo, depende de como formos tratados, como chegamos até aqui. 


Concluindo, você quer saber o que é Fenomenologia? Fazer Fenomenologia é isso que acabei de fazer: contar a minha história ou perspectiva sobre o assunto. Afinal de contas, o conhecimento depende do Homem para que se manifeste. E cada Homem possui uma trajetória distinta.